Por
Bruno Accioly em
30 de
September de
2007
“Há extensos debates no que se refere às Fontes Históricas não escritas, sobretudo no que tange a História Oral”
Dentro do espírito de falar da Disciplina que é a História, mais do que de falar do passado, este site tem como objetivo fazer com que o leitor entenda qual a situação da História nos dias de hoje, de ontem e possivelmente de amanhã. Para tanto, é importante saber qual o papel de suas técnicas e métodos de identificar, classificar e qualificar uma Fonte Histórica.
Mas o que é Fonte Histórica?
Fonte Histórica é a denominação de todo “artefato”, escrito ou não, que preserve, de alguma forma, a história de uma época, de uma civilização ou de qualquer objeto de estudo. É a Fonte Histórica que nos ajuda a tentar explicar o passado, embora sua existência não garanta a qualidade de nossas conclusões – estas sempre incapazes de se descontextualizar de nosso próprio momento histórico.
As Fontes Históricas são profundamente importantes, sobretudo porque a História, hoje, trabalha com o Paradigma Indiciário e, portanto, com evidências que corroborem para que algo tenha de fato acontecido.
A despeito da existência de evidências, entretanto, o passado não é considerado desvendado, de uma vez por todas, só porque há evidências depondo em favor disso. Sabe-se que há evidências circunstanciais e que aquele que lê as evidências tem inclinações pessoais, opiniões e que, invariavelmente, tira conclusões tendenciosas.
Platão é nossa única Fonte Histórica sobre a existência da Atlântida, e ele ouviu de Crítias tudo o que passou à diante...
É por isso mesmo que é tão importante coletar o máximo de evidências possíveis, seja para “provar” uma ou mais hipóteses, seja para invalidar uma ou mais hipóteses ou, simplesmente, para enriquecer a compreensão de uma determinada época, indivíduo ou evento.
Não é incomum que haja desconforto em trabalhar com a incerteza e, invariavelmente, quem não tem compromisso com a Verdade Histórica, não costuma se furtar a optar por acreditar nesta ou naquela versão porque lhe parece mais provável. Infelizmente (ou não), nossas inclinações e perspectivas acerca de algo ter ocorrido não fazem com que tal crença se transforme em um fato. O Verdade é soberana, nossas percepções individuais do Real são irrelevantes diante dela.
Em Filosofia, a própria Teoria da Verdade é bastante complexa e polêmica. Mas mesmo não nos aprofundando tanto não é complicado explicar a importância de Fontes Históricas para, digamos, o entendimento de uma cidade soterrada ao pé de um monte.
Crítias relata e Platão escreve. É fato? Ou é Boato?
Quanto mais vasos, tijolos, estátuas, desenhos e escritos forem encontrados, mais condições teremos de construir um modelo de como aquela cultura funcionava. Tanto quanto seria importante escavarmos mais de uma casa soterrada para entendermos seu projeto arquitetônico.
Dentre os historiadores há extensos debates no que se refere às Fontes Históricas não escritas, sobretudo no que tange a História Oral, ou seja, ao método de obtenção de memórias relativas a acontecimentos pregressos, de pessoas que os presenciaram ou que ouviram histórias sobre o “fato” em questão.
É bastante compreensível que haja debate, de fato, mas há sérios motivos para se levar em consideração relatos de uma lenda local que informasse, por exemplo, que “os habitantes da tal cidade soterrada ‘’maltrataram as árvores’ no monte acima das casas até que estas soltaram a terra sobre eles”. O exemplo é fictício, mas um modelo suficiente para justificar uma investigação junto aos moradores da região, não é?
E é justamente sobre História Oral que vamos conversar em breve, após fazermos uma passagem pelo conceito de Historiografia.
- Você quer saber mais?
- Yahoo! Respostas . O que é Fonte Histórica?
- Klepsidra.net . A Parcialidade das Fontes Históricas
- Submarino.com . “Que é a História Hoje?” (R$ 83,82)
- Submarino.com . “História como História da Liberdade” (R$ 54,90)
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Por
Bruno Accioly em
28 de
September de
2007
Edições Perigosas, de John Dunning
O livro de John Dunning, editado no Brasil pela Companhia das Letras, provavelmente vai dar certo trabalho a quem quiser lê-lo e fazer os sedentários andarem uns bons pedaços de chão antes de poderem se dizer felizes proprietários de um exemplar.
O personagem principal, Cliff Janeway, é um detetive de polícia, que divide seu tempo entre desvendar crimes e colecionar livros. A inusitada combinação rendeu frutos para Dunning, que teve a primeira edição do livro em 1992, mais tarde transformada em uma trilogia, cujos outros títulos são “Impressões e Provas” e “A Promessa do Livreiro”.
Em “Edições Perigosas”, Janeway vê seu hobby convergindo com sua profissão quando do assassinato de um mascate de livros. O que poderia ser somente mais um caso de assassinato se transforma em um mistério envolvente.
Com um personagem com o qual o leitor facilmente se identifica e com informações peculiares e interessantes acerca da vida como alfarrabista, a deliciosa prosa de Dunning não gosta de deixar o leitor largar o livro.
John Dunning
O tom noir dado por uma narrativa detetivesca – que remete a “Chinatown” e “A Chave do Enigma” – acaba sendo tão atrativa e consistente em 1986 (data em que se passa a história) quanto o seriam em sua origem na década de 40. O que destoa é o fato de Janeway estar longe de ser um anti-herói, sendo uma figura com a qual o leitor não tem dificuldades de se identificar, o que acentua ainda mais o contraste entre o meio inóspito e a figura do herói.
Mas os parágrafos brilham mesmo, em “Edições Perigosas”, quando Dunning narra o amor e conhecimento de Janeway acerca de livros, tipografia e de toda sorte de detalhes da vida de um bibliófilo. Um especialista em livros raros, Dunning fala com propriedade do tópico e acaba sendo bastante didático na tentativa de fazer-nos entender o que está em jogo.
John Dunning nasceu em Nova Iorque, em 1942. Educado na Carolina do Sul, o autor foi jornalista no Denver Post e livreiro por muitos anos. Tendo parado de escrever por muitos anos, voltou a pedido de amigos escritores e foi pelo fruto deste trabalho – “Edições Perigosas” – que recebeu o Prêmio Nero Wolf. Hoje, só negocia primeiras edições e com clientes especiais.
Para quem não pretende correr pelos sebos da cidade, abaixo segue o link para compra na Companhia das Letras.
As obras dedicadas ao detetive Cliff Janeway são:
- Você quer comprar on-line?
- Companhia das Letras . Edições Perigosas (R$ 43,50)
- Companhia das Letras . Impressões e Provas (R$ 47,00)
- Companhia das Letras . A Promessa do Livreiro (R$ 47,00)
- Submarino.com.br . A Promessa do Livreiro (R$ 45,00 ou em 4x)

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