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A (Su)Gestão de um Mundo a Vapor

Por Bruno Accioly em 19 de September de 2007

A Tecnologia mudou o panorama dos centros urbanos. Em cem anos, de 1780 até 1880, a população de Londres cresceu de 800 mil para 5 milhões de habitantes”

A rigor, Tecnologia é um termo derivado do conhecimento técnico, seja lá qual for ele, o que abre um leque de diferentes acepções para o que de fato é a Tecnologia.

Em diferentes contextos a Tecnologia pode ser o ferramental usado para resolver problemas de dada disciplina, um conjunto de técnicas ou métodos desenvolvidos para suprir uma demanda ou o conhecimento para a utilização de recursos de qualquer natureza para alcançar o resultado desejado em um empreendimento.

Entendendo a Ciência como a disciplina que gera recursos para a Engenharia construir coisas, seria possível dizer que estes tais recursos são o que entendemos por Tecnologia, ainda que esta possa nascer em qualquer disciplina.

Para qualificar a tecnologia em um contexto sócio-cultural, é difícil ignorarmos, hoje, suas vantagens e desvantagens.

Manchester (Inglaterra), 1840

No início da Revolução Industrial, quando os frutos da Ciência começaram a transbordar da panela da Engenharia, o senso comum abraçou a Tecnologia avidamente, tomando-a como se fosse solução para absolutamente tudo, uma panacéia que fosse acabar com todos os problemas.

A Tecnologia era a espada da Ciência, e a Engenharia seu escudo. As conquistas aconteciam graças a genialidade do cientista, e qualquer desgraça advinda da Tecnologia, era culpa do engenheiro que a implementou.

Não se trata de uma grande conspiração, apenas do fato de que a Descoberta vinha se mostrando já como tendo compromisso moral menor que o Uso da tal descoberta. E não é nada fácil desenvolver instrumental Ético em um modelo tão impessoal e impermeável quanto aquele que vinha emergindo.

Mas a Tecnologia floresceu viçosa neste ambiente, onde o senso crítico era jovem e inocente demais para vislumbrar seu potencial destrutivo, sobretudo quando utilizada de forma inconseqüente e leviana.

Não nos enganemos. Toda qualidade de vida que temos hoje, devemos a este passado turbulento, onde uma Tecnologia não suficientemente regulamentada esmagou produtores menos bem sucedidos e sem dinheiro para competir com fábricas e meios de produção tão eficientes.

Obra de Gustave Doré, “Over London by Rail”, de 1870

A Tecnologia mudou o panorama dos centros urbanos. Em cem anos, de 1780 até 1880, a população de Londres cresceu de oitocentos mil para cinco milhões de habitantes, como resultado do deslocamento da população rural para as cidades.

O salário medíocre, péssimas acomodações e a jornada de trabalho de 80 horas semanais parece-nos, hoje, não ter valido a pena para aqueles que saíram do campo, mas era um mundo em constante renovação e no qual uma enxurrada de produtos industrializados inundaria o mercado… As cidades eram O lugar para se morar, se você queria ter acesso ao que havia de bom e de melhor.

Enquanto antes o Homem dominava o meio de produção e sabia bem como construir sozinho um instrumento de cordas, o esfacelamento do conhecimento acerca da produção garantiu que um sem número de mãos fosse capaz de produzir duzentos instrumentos de corda de forma muito mais eficiente.

O conhecimento acerca do produto final saiu das mãos do indivíduo e uma nova realidade se estabeleceu, uma realidade na qual o Homem se distanciou cada vez mais do produto final de seu trabalho.

A troca, ao que parece, foi justa, uma vez que no lugar do conhecimento, o Homem pode perceber que, com o aumento de sua produção, os salários aumentaram em mais de 300%, do início ao fim do Século XIX. Dinheiro suficiente para comprar um instrumento de cordas em uns poucos meses!

Um panorama Distópico parecia estar se desenrolando na Europa, mas as convulsões tinham tudo para acabar, quando o Homem finalmente entendeu e resolveu se encarregar da gestão deste novo Mundo a Vapor.

Não houve sugestão… o Mundo a Vapor se estabeleceu de assalto e nós o abraçamos com toda receptividade que pudemos.

Em “Tecnologia”, aqui no Desígnios.com.br, será possível tanto acompanhar o que há de mais novo em tecnologia quanto o que há de mais inútil, vez por outra dando de cara com verdadeiros avanços e invariavelmente lendo textos que criticam o retrocesso promovido por algum “produto” do Gênio Humano (coloque as aspas onde achar melhor).

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One Response to “A (Su)Gestão de um Mundo a Vapor”

  1. Eles… Robôs Says:

    […] toda sorte de impacto ético no uso de robôs. Isso vem sendo discutido há décadas, para o melhor e para o pior, e vai continuar sendo discutido por ainda muito […]

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