Ciência e Eficiência
“A Ciência pode definir os limites do Conhecimento, mas não deveria definir os limites da Imaginação.”
Scindere, schizein, chyati, scio, scientia… Ciência.
A noção formal de ciência – em qualquer língua – manteve sempre uma relação com divisão de componentes, separação em partes, discernimento e, desde a idade média, o termo se tornou mais que uma palavra, ganhando o status de instituição.
Ciência se refere, hoje, a identificação e classificação do Conhecimento segundo um método específico, denominado Método Científico, que se baseia na busca de evidências experimentáveis e reproduzíveis.
Por ter se tornado a disciplina mais bem sucedida em termos de resultados facilmente qualificáveis e referenciáveis, a Ciência se transformou em chancela e seu Método em símbolo internacional de solução definitiva.
Este papel não fez mal a Ciência e lhe rendeu a “propriedade” de dezenas de disciplinas que, outrora, não eram consideradas ciências. Em troca, o significado de Ciência se tornou ainda mais largo, para conseguir abarcar tais disciplinas, consistindo em qualquer metodologia sistemática de aquisição de conhecimento.
“São duas coisas distintas a Ciência e a Opinião; a primeira evoca o Conhecimento e a segunda a Ignorância.”
Hipócrates
Didaticamente, pode-se dizer que as Ciências, hoje, se dividem em dois grandes grupos: As Ciências Naturais, que estudam os fenômenos naturais; e as Ciências Sociais, que estudam o comportamento humano e as sociedades.
Estes dois grandes grupos, contudo, fazem parte de um conjunto denominado Ciências Empíricas e, portanto, aquelas onde o Conhecimento é obtido através de fenômenos observáveis e passíveis de ser reproduzidos por outros observadores, contanto que sob as mesmas condições.
É comum que o leitor se pergunte “mas que outro tipo de ciência pode existir que não a Ciência Empírica?”, e a resposta é simples ao mesmo tempo que é complexa: por ter se tornado uma chancela, uma espécie de distintivo de qualidade, a Ciência acabou sendo o Conjunto Universo de metodologias e de ferramentas que garantem ao Homem seu potencial de adquirir qualquer forma de conhecimento.
Justo ou não – e há quem ache injusta e equivocada a prática – ferramentas inventadas muito antes da própria Ciência acabaram ganhando o status de Ciência. Como exemplo de Ciência não-empírica temos a Matemática, que, embora seja uma forma sistemática de obtenção de conhecimento, não verifica seus resultados baseando-se em empirismo, mas nas premissas de um modelo Matemático.
Temos então - usando de reducionismo didático - a seguinte árvore da Ciência:
- Ciências Empíricas
- Ciências Naturais
- Ciências Sociais
- Ciências Formais
- Matemática
- Lógica
É bastante comum que ferramental previamente estruturado seja utilizado por metodologias posteriormente desenvolvidas, mas a peculiar História da Ciência fez com que mecanismos essenciais, como a Matemática, se tornassem, aos olhos de todos, um sub-conjunto da própria Ciência.
Os sub-conjuntos da Ciência são de profunda importância para que a Ciência estabeleça hipóteses e chegue a conclusões, bem como para tornar obsoletas conclusões datadas, que já não consistem com observações mais recentes ou que não sejam mais relevantes diante de novas proposições paradigmáticas.
É importante ressaltar que, embora nascida da Filosofia Naturalista – o que torna-a uma escola filosófica – a Ciência percorreu grandes distâncias desde seu nascimento e o Método Científico vem sendo iterativamente modificado para incluir as melhores práticas na obtenção de resultados fidedignos. A Ciência, portanto, é já profundamente mais rigorosa com seus resultados que a escola filosófica original e há quem situe seu nascimento em meados do Século XV.
Com relação ao Método Científico, há pouco que discutir sobre sua Eficiência, mas muito o que discutir acerca de sua Efetividade. Há quem afirme que ele pode se tornar mais efetivo, racionalmente crítico e há quem só se importe com sua eficiência e entenda-o como a quintessência da perfeição. Há ainda todo um gradiente de cores entre uma posição e outra.
Discutiremos ambas as posições - e o quanto conseguirmos de todas essas cores - em próximos ensaios, convidando sempre qualquer acadêmico a discordar, ou apontar falhas na abordagem, no local para comentários mais abaixo.
Enquanto o próximo ensaio sobre Ciência não é publicado, contudo, deixo uma citação para que o leitor reflita:
“A Ciência pode definir os limites do Conhecimento, mas não deveria definir os limites da Imaginação.”
Bertrand Russell
“A Ciência pode definir os limites do Conhecimento, mas não deveria definir os limites da Imaginação.”
Scindere, schizein, chyati, scio, scientia… Ciência.
A noção formal de ciência – em qualquer língua – manteve sempre uma relação com divisão de componentes, separação em partes, discernimento e, desde a idade média, o termo se tornou mais que uma palavra, […]
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October 5th, 2007 at 4:26 pm
Fiquei na dúvida em onde responder, acabei respondendo no meu mesmo! rs
Ciência é a referência. O que é sustentável ou não, vai depender da criatividade!
:o)
Abraço,
Luana Mendes.